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Coluna: Julieta Presente, para sempre

Uma grande saudação à palhaça Jujuba: "Minha casa é o movimento".


Julieta Hernández Martinez / Via Instagram 


A querida Miss Jujuba teve sua vida interrompida prematuramente em 23 de dezembro de 2023, enquanto viajava em direção à Venezuela. Conhecida como uma "migrante nômade, bonequeira, palhaça e viajante de bicicleta", Julieta encantava o Brasil desde 2016, levando alegria às crianças e adultos  em diversas regiões do país com suas apresentações nas ruas e teatros.

Infelizmente, sua jornada foi abruptamente interrompida por um ato de violência brutal e covarde. Julieta foi estuprada e assassinada em Presidente Figueiredo, no Amazonas, quando retornava à Venezuela para celebrar as festas com sua família e reencontrar suas raízes, incluindo sua mãe, parentes, e amigos do grupo Pé Vermêi, do qual ela fazia parte.

A tragédia como já mencionei, ocorreu na cidade de Presidente Figueiredo, no Estado do Amazonas, e há suspeitas perturbadoras de que ela tenha sido enterrada viva. A notícia chocante nos leva a refletir sobre a vulnerabilidade das mulheres em uma sociedade patriarcal, e o impacto devastador que a perda de uma artista como Julieta causa, tornando o mundo mais sombrio e triste.

Julieta Inés Hernández Martinez, além de palhaça e cicloviajante, era formada em medicina veterinária, mas escolheu seguir sua paixão pelo teatro, especialmente o teatro do oprimido. Desde 2015, ela dedicou-se ao Brasil, onde se tornou reconhecida por seu trabalho artístico e engajamento coletivo, integrando redes como Payasas Venezolanas e palhaços sem fronteiras. Sua vida no Brasil, marcada por desafios como imigrante, mulher e artista engajada, destacou-se não apenas pela sua expressão artística, mas também como uma referência de militância artística, humana e social.

Como imigrante venezuelana, ela se tornou uma ponte entre culturas, onde deixou um legado de alegria e arte por onde passou. Combatendo a xenofobia por meio da arte.

A partir de 2019, suas viagens como a Palhaça Jujuba levaram-na a comunidades em nove estados brasileiros. Julieta , não era apenas uma artista talentosa, mas também uma referência vital para a militância artística, humana e social.

Sua vida e obra representavam uma elo entre culturas, desafiando a xenofobia por meio da arte. Em homenagem a Julieta, 57 cidades brasileiras pedalaram em sua memória durante a manifestação "Julieta Presente". Este protesto não apenas repudiou a trágica morte de Julieta, mas também ergueu a voz contra o feminicídio, violência e extermínio que afetam todas as mulheres.


Julieta, você é uma gigante que jamais será esquecida.

 

Via UOL


Parem de nos matar

Parem de nos matar !! Chega de nos ceifar !! Por que uma mulher independente, livre, incomoda tanto? Estamos inseridas em um mundo, onde o patriarcado nos expõe à violência e à morte, seja por não aceitar o término de um relacionamento, por não querer manter um vínculo, ou simplesmente por viajar sozinha, compartilhando cultura e alegria com as pessoas.

Quando uma mulher é morta, é sempre uma tentativa de silenciamento para todas nós. No caso de uma artista, cujo propósito é espalhar alegria e tornar o mundo mais leve, sua morte mostra a face de um mundo sombrio e doente que vivemos.

Ouvir até mesmo mulheres culpando a vítima, dizendo coisas como "ela viajou sozinha" ou "foi ingênua em dormir naquela casa" , é totalmente absurdo . Por que uma mulher não poderia viajar sozinha? Por que devemos ser execradas e limitadas apenas por nascermos mulheres?

O mais revoltante é escutar políticos, detentores do poder, para modificar leis e realizar reformas significativas no código penal, se recusarem a agir, alegando que "não vamos mudar as leis no calor da emoção". Certamente, se fosse a filha deles, a esposa, a mãe, não dariam essa desculpa.

Mulheres são espancadas, ameaçadas, rotuladas como loucas e, em casos extremos, assassinadas. Os agressores muitas vezes passam pouco tempo na prisão. Medidas protetivas se tornaram uma piada . O que fazer em um mundo onde o patriarcado continua ceifando nossas vidas, repetindo padrões históricos de injustiça?

Assim como ocorreu com Joana D’arc, Marielle Franco e agora com Julieta, inúmeras mulheres, sejam conhecidas ou anônimas, são tratadas como se fossem lixo. Não somos lixo; somos livres, temos o direito de ir aonde quisermos e viver como desejarmos.

Nascer mulher não deveria ser um veredito silencioso que nos condena a sermos agredidas e violentadas a qualquer momento e em qualquer lugar. Parem de nos matar !!!


Julieta por Julieta




“Ser mulher, palhaça e imigrante venezuelana são três coisas que estão entrelaçadas. E nesse momento eu sou imigrante venezuelana, itinerante, viajando de bicicleta pelo interior dos estados nordestinos do Brasil. Que apesar de não ser o país no qual nasci é um pouco meu, sim. Porque inevitavelmente a gente como migrante acaba se permeando pela cultura e a realidade do país no qual por necessidade ou escolha a gente teve que morar.

Ser mulher, palhaça e imigrante é uma grande responsa. Porque a gente, querendo ou não, vira referência. Referência de mulher que viaja só. Referência de mulher que escolheu uma profissão que geralmente é de homem. Porque nesses lugares é difícil que chegue palhaço e, quando chega, é homem.

E ser talvez a primeira venezuelana que muitos e muitas pessoas daqui conheçam, e num momento no qual companheiros do meu país moram em situação migratória em diferentes partes, incluindo América Latina, e sofrem xenofobia… Ser venezuelana imigrante é uma grande oportunidade de poder chegar pras pessoas pra falar do meu país, do quão próximos somos, da nossa realidade. Que eles possam ter uma referência além da que a televisão dá para eles e assim fazer com que os próximos venezuelanos e venezuelanas que cheguem a eles sejam recebidos de braços abertos como eu fui.”


Por  Julieta Hernández Martinez 


                                                                   Imagem Reprodução

                  



                                                                  

                                                                  

                                                                   


 




















Sobre o Autor:
Silvia

Atriz, Performer, Dramaturga e Roteirista. Estudou interpretação Teatral(Unirio). Graduada em Produção Audiovisual(ESAMC). Apenas uma Artista que vende sonhos em dias cinzentos. E quando os dias não forem tão trevosos, ainda assim continuarei a vender meus sonhos!! Cores, abraços, afetos, lua em aquário...

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